terça-feira, 25 de agosto de 2009

A JUSTIÇA EM PORTUGAL

Quando se leem notícias como estas no nosso país, e mesmo não sendo advogado ou polícia, creio que alguma coisa vai muito mal.
Serão as leis que temos ou será culpa dos juízes? Quer o erro esteja dum lado ou do outro, creio que deve ser corrigido antes que deixemos de acreditar que ainda compensa não ser criminoso!!

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Contra Terrorismo (UNCT), desencadeou na passada quinta-feira, uma operação com vista à detenção de um violento indivíduo, que se dedicava a assaltos à mão armada a agências dos CTT.

O indivíduo em causa, extremamente perigoso e com um longo historial na área da criminalidade especialmente violenta, já havia sido condenado em 1991 na pena de 6 anos de prisão pela prática de um outro assalto à mão armada, em 1997 condenado na pena de 7 meses de prisão pela prática de um crime de furto, e finalmente em 2001 condenado na pena de 13 anos de prisão pela prática dos crimes de roubo, furto qualificado e falsificação de documentos, encontrava-se actualmente em liberdade condicional.

Assaltou à mão armada em Abril de 2009, uma agência dos CTT em Lisboa, encontrando-se indiciada a sua responsabilidade relativamente a vários outros assaltos a estabelecimentos comerciais, levados a cabo também em Lisboa.

O detido foi na passada sexta feira presente perante à Autoridade Judicial competente, a qual lhe aplicou a medida de coacção de apresentações diárias perante as Autoridades Policiais da sua área de residência.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

AS OPORTUNIDADES DOS "COLONOS"

Tenho lido com alguma frequencia que Angola era uma terra cheia de oportunidades, o que realmente é verdade, não deixa contudo de ser puro engano dizer-se que bastava alguém ser bom trabalhador para enriquecer.
Li recentemente um livro cujo autor diz ter vivido alguns anos em Angola e espanta-me que também ele ajude a passar esta idéia enganadora. Embora seja um romance e por isso à partida classificado de pura ficção, não deixa contudo de cair neste erro. Lê-se ali que um casal chegado a Luanda, em pouco tempo já tinha negócios espalhados por toda a cidade e logo a seguir pelas principais cidades de Angola, isto sem falar da compra de uma "casa" na Vila Alice.
Não espantava se esse casal fosse endinheirado e procurasse Angola para investir, o que não é o caso. Por vezes parece que existem duas Angolas diferentes, aquela que eu e a maioria conhecemos e uma outra, onde se chegava e se encontrava prontamente uma "àrvore das patacas" e se enriquecia duma hora para a outra. Eu nasci em Angola e embora houvesse diferenças de classes como na maioria dos países, a verdade é que era necessário muito trabalho para se viver com algum desafogo e a maioria pode atestar que também não dava para se fazerem muitas "avarias".
Assim, das duas uma, ou eu e muitos outros fomos pouco inteligente e nunca soubemos ver os "grandes negócios", ou simplesmente nunca encontramos a tal " árvore das paracas".
É bom que se diga a verdade, era uma linda terra, um povo hospitaleiro e humilde, mas quem começasse do nada como o meu pai e muitos outros que ali chegaram na década de 50, mesmo com muito trabalho, nunca chegaram a ter essa tal vida faustosa que se encontram ilustradas nalguns romances.
Lá como cá, se houvesse respeito pelo "próximo", creio que as oportunidades eram iguais!

domingo, 2 de agosto de 2009

BAIXA DE CASSANGE - RELATÓRIO

Porque é algo que continua a dar que falar, achei por bem colocar aqui mais um testemunho de alguém que pesquisou os acontecimentos. Como é relatado, masi uma vez pagou o justo pelo pecador!

sábado, 1 de agosto de 2009

LAR DE IDOSOS E O IRS

Quando se ouvem os nossos governantes a falar tanto no nossos idosos, fica-se com a impressão que estão efectivamente preocupados com o seu bem estar e por isso as leis em vigor contribuem para que este segmento da sociedade possa passar os seus ultimos anos com alguma dignidade. Ora a verdade é precisamente o contrário!
Andei alguns anos pelo estrangeiro e fiquei pasmo quando numa contribuição de IRS apenas se encontra para dedução à colecta, a mísera quantia de 362.10€, notem bem: trezentos e sessenta e dois euros e dez cêntimos, de todas as despesas que um filho dum idoso gasta por ano num Lar.
Gostaria de perguntar a estes senhores se é possível encontrar um Lar onde se pague este valor mensalmente, mas notem que os 362.10€ é o montante máximo a deduzir por ano!
Só posso taxar de lamentável e pedir a esses senhores que tenham um pouco de vergonha quando à boca cheia vêm para as televisões e fazem crer que estão a fazer o "tudo por tudo" para ajudar as classes menos favorecidas e sobretudo aqueles que ainda se preocupam com os seus ascendentes idosos.
Ainda mais! Se por acaso os idosos têm de usar fraldas devido a sua incontinencia, saiba que apenas pode deduzir a importancia de sessenta e poucos euros por ano.
UMA VERGONHA!

terça-feira, 28 de julho de 2009

MAIS UM LIVRO EDITADO

Já se encontra disponível para encomenda o livro "O Filho da Preta".
Trata-se duma obra editada pela Planeta Editora e já está à venda nos sites da propria editora, Bertrand e da Wook pelo preço de lançamento de 13.50 €, uma vez que o preço de capa será de 15.00€.
Sinopse do livro:
"O livro relata a luta pela sobrevivência de um filho mulato esquecido e rejeitado pelo pai. É um romance que faz recordar o cheiro de uma África nunca esquecida. É o livro de quem tem alma africana e que presta tributo aos seus irmãos, aos filhos abandonados em África. Desde a sanzala africana onde nasceu e viveu os primeiros anos de infância aos anos turbulentos da Guerra da Independência, corremos a vida de António, um médico reconhecido, numa luta de solidão até encontrar a família que o desejava e o julgava perdido."
Estou em crer que irão gostar e não deixem de comentar o que acharam. http://www.quirimbo70.com
Um abraço,

quarta-feira, 22 de julho de 2009

JOSÉ SOCRATES E O PEDIDO DE SACRIFÍCIOS AOS PORTUGUESES

Há muito que deixei de me interessar pela política e de acreditar "nesses" senhores que tudo prometem e nada cumprem, por isso perdoem-me aqueles que acham que estou errado e que não exerço o meu direito de cidadão, mas faço parte da grande coluna que prefere abster-se a votar em pessoas que não acredita.
Li recentemente numa revista que o "nosso" primeiro ministro é daqueles clientes de certa loja que para ser atendido tem de marcar com antecedencia, isto porque o referido estabelecimento apenas atende um cliente de cada vez e por marcação. Vai aos restaurantes mais caros de Lisboa, corta o seu cabelo num cabelereiro a rondar os 100 euros e como não podia deixar de ser, os seus fatos são Armani. Claro que não encontro nada de errado, quem pode, pode. Mas quando este mesmo senhor emprega palavras do estilo "o povo compreende-nos", "o povo sabe que é preciso sacrifícios" e tantas "baboseiras" mais, só podia estar mesmo onde está: fazer parte dessa profissão "ou não", onde se é preciso prometer muito e fazer pouco e não ter pejo em gastar numa noite o que um "trabalhador" leva um mês a conseguir para poder "esticar" e matar a fome à família.
Tenham dó e quando de manhã se vêm ao espelho, pensem seriamente no que andam a fazer e sintam vergonha de pedir sacríficios a quem passa uma vida a viver em sacrifício!!!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

AINDA OS RETORNADOS

Especialmente na época dos encontros anuais que os ex-residentes das cidades e vilas de Angola continuam a fazer, ouve-se com frequencia a palavra "saudosistas".
Confesso que durante muitos anos nunca apareci nesses encontros, algumas vezes por razões profissionais, mas quase sempre por um desinteresse, pois pensava na altura que seria melhor apagar duma vez por todas uma infancia e uma vivencia que foi abruptamente cortada. Puro engano!
Ao fim de trinta e dois anos, resolvi aparecer num desses encontros e embora muitas dessas pessoas que compunham o "nosso dia a dia" desses tempos, já tivessem partido e tenha vivido décadas separado das que encontrei, o reencontro foi simplesmente algo mágico! Será isto saudosismo?
Para aqueles que pensam que este "ajuntar" de gentes é um sintoma de vidas estagnadas, estão redondamente engandos. Todos têm as suas vidas e assim como as pessoas que vivem longe das suas terras voltam a elas em ocasiões especiais, os "retornados" concentram-se uma vez por ano em determinado sítio para um convívio, porque muitos deles não têm uma terra que possam chamar de sua e outros embora nascessem por cá, passaram tantos anos longe que ainda hoje se sentem tão desenraizados como aqueles que nasceram do outro lado do mar.
Se isto é saudosismo, então também sou saudosista!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

ESTARÁ PORTUGAL EM CRISE???

Confesso que não entendo muito bem de "Finanças Governamentais", nunca fui político e muito menos ministro de qualquer governo. Talvez por isso a minha ignorancia me leve a ficar de boca aberta quando se fala de crise por todo o lado e se vêem nos jornais notícias como estas.
Afinal somos um país bem rico, temos mais diamantes, mais petróleo, mais ouro e até mais investimento estrangeiro que Angola, pois todos os dias "abrem" multinacionais!
Só assim se justifica esta notícia:

Linha de crédito de Portugal aprovada ontem pelo Governo

O Conselho de Ministros aprovou, ontem, o Acordo Quadro de Financiamento relativo a uma linha de crédito no valor de 500 milhões de Euros, celebrado entre o Ministério das Finanças da República de Angola e o Ministério das Finanças da República Portuguesa.
O montante, a ser disponibilizado por Portugal, vai financiar projectos de investimento público e de infra-estruturas a serem executados em Angola.
Este acordo foi assinado, em Lisboa, durante a visita que o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, efectuou, recentemente, àquele país europeu.

terça-feira, 2 de junho de 2009

BAIXA DE CASSANGE

Depois de muito se falar e escrever sobre o que se passou na Baixa de Cassange em 1961, resolvi fazer uma investigação mais apurada e o que constatei, veio dar razão àquilo que mais do que uma vez já escrevi: A história é feita dependendo sempre de quem a escreve e do momento em que é escrita, mas os exageros parecem ser demaisado evidentes.
As duas Companhias de militares portugueses que tomaram parte nesta acção não morriam de amores pela Cotonang, a companhia algodoeira que sem sombra de dúvidas explorava os trabalhadores angolanos e pelo que parece a coberto das autoridades coloniais. Isto é evidente nos relatórios feitos pelos dois comandantes que minuciosamente contam como tudo se passou. O curioso de tudo isto é que mesmo assim eles são paremptórios em dizer que as baixas não ultrapassaram os 300 mortos por parte dos amotinados, para além de duas centenas de feridos.
Até há pouco tempo ouviamos dizer por parte das actuais autoridades angolanas que o saldo das vitimas andou pela casa dos 10.000, mas eis que aparece um "historiador" de seu nome Pedro Gabriel que nas comemorações desta data em Mbanza Congo, resolveu subir a fasquia para a casa dos 20.000.
Para todos aqueles que querem saber de facto o que se passou, aconselho a fazerem uma investigação cuidadosa e não se deixarem levar por alguns "senhores" que apenas pretendem sobressair como patriotas e defensores da liberdade do povo.





segunda-feira, 1 de junho de 2009

BOAS NOTICIAS

Para todos aqueles que se interessaram pelo pedido de ajuda do nosso compatriota, quero informá-los que já há algumas noticias.
Efectivamente já foi encontrada uma senhora que trabalhou com o falecido pai do Paulo Jorge e também esteve com a irmã portuguesa como ele a chama, há uns quatro anos. Espera-se um desfecho rápido, isto é, que essa senhora consiga localizar este membro da família e assim o Paulo possa depois chegar aos outros.
Já agora quero dizer que o Paulo Jorge viveu toda a sua vida sem saber nada da parte do pai e a foto que que aqui inseri, apenas teve acesso a ela em Janeiro deste ano. Tem sido uma angustia, usando palavras suas, viver todo este tempo sem uma parte da nossa vida!
Espero que tudo lhe corra bem e darei mais notícias tão logo elas apareçam.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

PEDIDO DE AJUDA


De um compatriota recebi o seguinte e-mail que a seguir transcrevo.
Se alguém poder ajudar, pode fazê-lo para o meu e-mail, facra-r1@hotmail.co.uk
- "Prezado Sr. Facra Rone,

Gostariamos muito de poder contar com o seu auxílio nesta nossa luta de longos anos para encontrar e conhecer algum parente de nosso falecido pai, que era português e que morou alguns anos em Angola.

Somos 2 irmãos e nascemos em Luanda, Angola. Neste momento moro no Brasil e minha irmã mora em Angola. Buscamos parentes de nosso pai HEITOR PINTO DE CARVALHO (ABREU)falecido em 1974 em Angola aos 59 anos. Tenho o nome dos meus avôs paternos (ANTÓNIO ABREU DE SOUSA e MARIA CUSTÓDIA PINTO DE CARVALHO) que achei no livro de arquivos do cemitério onde ele foi sepultado em Luanda.

Pouco sabemos sobre ele, pois em 1974 eu tinha apenas pouco mais de 4 anos e minhã irmã tinha quase 2 anos. Sabemos, pela nossa mãe (que é angolana), que ele era do norte de Portugal (talvés do Porto ou Aveiro) e que tinha 2 filhos (António e Maria) em Portugal, além de uma outra filha portuguesa chamada Isabel Maria ou Maria Isabel (cuja mãe chamava-se OLÍVIA, provavelmente) que morava com ele em Luanda (acreditamos que tenha sido na Rua dos Enganos, nas proximidades do Largo Maria da Fonte) até a morte de nosso pai e que deixou Angola logo a seguir.

Nosso pai trabalhou na EMISSORA CATÓLICA DE ANGOLA. Tudo que temos hoje é o anúncio fúnebre (EM ANEXO) de sua morte postado no antigo jornal "a província de angola" pela nossa irmã portuguesa que se ausentou logo em seguida. Nunca tivemos contacto com ninguém da família aí em Portugal, talvés por pensarem que fomos mortos durante a guerra civil angolana.

Tudo que rogamos agora é que alguém nos possa ajudar a encontrar algum parente nosso ou um antigo amigo, através da fotografia (EM ANEXO) de nosso pai, pois é muito duro passar a vida toda sem conhecer nossas origens. Já estive no Porto em 2005 por apenas uma tarde, mas nada consegui, pois estava num congresso em Coimbra e tive pouquissímo tempo e meu visto era de apenas uma semana.

Agradeço, desde já, pela sua atenção e ajuda. Muito obrigado pelo tempo tomado.

Que DEUS nos abençõe!

Paulo Jorge

domingo, 24 de maio de 2009

GUERRA CIVIL ANGOLANA

No meu modesto modo de analizar esta situação, creio que se está a fazer bem pouco ou mesmo nada, para ultrapassar os ódios gerados pela guerra civil que devastou Angola. 
Seria de esperar que não se mexe-se muito nas feridas resultantes dos sangrentos combates, dos quais resultaram centenas de milhares de vítimas de ambos os lados, para além dos mutilados para o resto da vida. Será que isso está acontecer?
Quando se festejam vitórias de um dos lados e se erguem monumentos para perpetuar isso para as gerações vindouras, creio que se está a esquecer que essas vitórias foram contra irmãos do mesmo país que apenas tinham ideologias diferentes, muitos deles obrigados a lutar por uma causa que não conheciam.
Um monumento a todos os que tombaram? Seria no minimo justificado, mas no meu modo de ver imprescindível para apaziguar os animos, mas nunca enaltecer os feitos de uns dos lados, quando ao que hoje assistimos foi um volt-face do partido então comunista e totalitário a uma ideologia bem próxima daqueles a quem combatia na altura. 
A história de hoje não é a do amanhã, também neste caso, acho que vai ser reescrita.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

VINHAS NA CELA?

Pois é, quem havia de dizer que daqui a alguns anos até podemos saborear um vinho oriundo da planalto outrora chamado Colonato da Cela.
Tanto quanto sei, foram feitos alguns estudos que dão como provado a viabilidade da vinicultura naquela região e até já há alguém que no local começou a plantar as primeiras videiras. Esperamos que esta aventura seja um sucesso e contribua para o desenvolvimento da nossa "antiga" Santa Comba, hoje Waco Kungo.
Outra novidade que me chegou, é que não há necessidade de se ir para as Lundas à procura das "camangas", pois segundo dizem, estas também não são raras em algumas áreas do Kuanza Sul. Quem diria, que andamos com os pés em cima delas e nunca vimos nenhuma!

terça-feira, 19 de maio de 2009

CRIAR FORUMS

Na era da Internet muitos são aqueles que procuram criar um forum para compartilharem vivencias e registarem arquivos apenas num só lugar.
Com o fim de ajudar nas escolhas do site onde deve armanezar o seu forum e dar algumas dicas que julgo importantes antes de avançar, abri o site www.criar-foruns.com.
É ainda bastante recente e por conseguinte ainda não tem muitas mensagens, mas prometo que vou inserindo se não diárimente, pelo menos com alguma regularidade informações que julgo úteis para quem pretende começar e não cair em alguns erros que eu caí.

sábado, 16 de maio de 2009

OS NOVOS RETORNADOS

Na altura da descolonização das províncias ultramarinas, chamaram "retornados" tanto àqueles que efectivamente retornavam às suas terras de origem, como também a dezenas de milhar de outros que haviam nascido nessas terras e que tiveram de abandonar.  Como já o disse várias vezes, a estes o tal "termo" não se pode aplicar, antes eram refugiados de uma guerra que Portugal incentivou a desenvolver-se. Mas o mundo dá voltas!
Alguns desses que não se enquadravam nessa designação , são hoje novamente chamados de "retornados" e agora estão plenamente de acordo com o tal termo. Falo como já entenderam, dos naturais de Angola e que agora retornam àquele país. Estive há dias a falar com uma pessoa amiga que por lá ficou e agora tem o previlégio (e também o trabalho) de receber alguns amigos que têm a coragem de voltar e ajudar na reconstrução.
Confesso que não me acho com tal coragem, nem tão pouco penso num regresso ainda que fosse de passeio, mas não deixo de registar essa coragem de todos aqueles que agora fazem essa viagem de "retorno".
Esses sim, devem ser chamados de "RETORNADOS".

sexta-feira, 15 de maio de 2009

QUIRIMBO 70

Muitos me têm perguntado o porquê do pseudonimo "Quirimbo 70" que eu uso nos meus livros.
A explicação é simples: tanto o nome Quirimbo como o Setenta, têm a ver com duas pequenas povoações perdidas no mato em Angola.
Mesmo que tenhamos andado por muitos lados, que os anos passados noutros lugares até sejam superiores, estou em crer que são os anos do princípio da nossa adolescencia, aqueles que ficam mais vincados na nossa mente. Foi precisamente no Quirimbo onde completei a instrução primária e embora seja um lugar que na altura apenas tinha além da escola e da casa do Administrador de Posto, mais dois comércios, onde ficaram as minhas melhores recordações daqueles lindos pôr-do-sol e daquele cheiro intenso a terra a molhada.
Quando pensei escrever debaixo de um pseudonimo, facilmente um nome surgiu: Quirimbo!
Setenta, tem a ver com uma pequena estação de caminhos de ferro que ficava uns poucos de quilómetros abaixo do Quirimbo. Então aqui estava o nome que iria usar: Quirimbo70!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

ESTAREI ERRADO?

Custa-me bastante aceitar quanto oiço alguns retornados (poucos), afirmarem que os europeus tinham de sair de Angola na altura da independência. Já ouvi mesmo a frase que éramos colonizadores e tínhamos de descolonizar!
Aceito que existia em Angola uma "classe" de protegidos, grandes empresas que enriqueceram à custa do suor de negros, mas também de brancos. Não aceito contudo que se meça tudo pela mesma bitola. Será que o que distingue os verdadeiros angolanos é a cor da pele? Porque nunca fui nem sou racista acredito que não, por isso considero-me tanto angolano como os meus amigos e tenho bastantes de pele escura.
Será que a vinda apressada e o colapso de todo um sistema beneficiou Angola?
Os factos respondem por si. Um país 30 anos estagnado, mais de um milhão de mortos e outras centenas de milhar de mutilados! O que me admira nisto tudo é o silencio, o não apontar de responsabilidades e até o admirar dos responsáveis que deveriam no mínimo remeter-se ao silencio e deixarem de andar a pavonear-se como se tivessem sido uns heróis, quando na verdade não passaram mesmo de uns cobardolas, ao abandonarem à sua sorte mais de um milhão de pessoas que sempre acreditaram trabalhar na "sua" terra.
Continuo acreditar que um dia a história dos dois países vai ser reescrita e o dedo apontado a nomes sonantes dos nossos actuais governantes!
Para aqueles que vieram na "leva" de 1975 e se expressam da forma como acima citei, só deixo uma palavra: se assim pensam, foi pena não terem vindo mais cedo, porque destes, Angola não precisava!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

LANÇAMENTO DE LIVRO


Gostaria de convidar todos os amigos e leitores do blogue, para o lançamento do meu livro "Retalhos" a ser realizado dia 13 no Auditório da Biblioteca de Castelo Branco às 21 horas.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

PROJECTO ALDEIA NOVA - OS OPORTUNISTAS

Bem meus amigos, o que soube recentemente não lembra a ninguém, mas continuamos a ver pela nossa Angola o enriquecimento rápido e ilícito de alguns, enquanto o povo, aquele povo sofrido que acreditou que era possível um dia viver em melhores condições, continuar a ser explorado sem ter aonde recorrer em busca de ajudas ou soluções.
O "Projecto Aldeia Nova" deu a possibilidade a muitas familias de poderem começar do zero e entregarem os seus produtos, tais como ovos, aves, leite, etc. no projecto que funcionava como uma cooperativa e onde as pessoas podiam comprar a preços módicos. Para se ter uma idéia um litro de leite podia ser adquirido no "Projecto por 135 Kz, enquanto no Jumbo em Luanda custa 185. Até aqui tudo bem e parecia que as coisas estavam a correr em ordem.
VEJAM AGORA: Duas senhoras ligadas ao projecto, a D. Amélia esposa do Dr. Russo e Director do Projecto, a Dra. Sandra responsável dos lacicínios do Projecto e a Gerente do Hotel Ritz, resolvem abrir um talho para venderem os produtos do "Projecto Aldeia Nova". Até aqui tudo certo, porque as pessoas podiam abastecer-se na loja do próprio "Projecto" e não ir ao à loja desta senhoras onde os produtos são muito mais caros.
Eis que de repente o "Projecto" fecha a possibilidade do povo poder comprar directamente a eles e quem quiser tem de se deslocar à loja que se adivinha daqui a algum tempo serem "lojas" aos preços que as senhoras entenderem.
A título de exemplo um litro de leite Waco custa no Projecto 135 Kz, no Jumbo em Luanda 185 e no próprio Waco Kungo, na loja destas oportunistas custa "APENAS 240 Kz".
Até quando estes oportunistas continuam a enriquecer à custa dos desgraçados?

sábado, 25 de abril de 2009

OTELO SARAIVA DE CARVALHO

O personagem que dá por este nome é sobejamente conhecido e não necessita de apresentações!
Homem ligado ao 25 de Abril, militar de carreira, terrorista por opção, sim porque alguém que chefia um grupo que causou o terror no país e responsável por 17 mortes não merece outro nome.
Condenado em tribunal por culpa de sangue, é posteriormente amnistiado pela Assembleia da República depois de ter cumprido cinco anos de prisão.
Não há dúvidas que era o cabecilha das denominadas FP25 e só por isso responsável pela onda de crimes cometidas por esta organização, inclusive as 17 vítimas mortais.
Foi com ironia e incredulidade que li recentemente uma notícia da promoção deste senhor do posto de Tenente Coronel a Coronel, um aumento de mais de quinhentos euros e com rectroactivos a rondar os 50.000 euros!
Pedem-nos os nossos governantes sacrificios e compreensão pela crise mundial e confiança face as dificuldades resultantes para "todos".
Nasci em Angola e fui obrigado a ser português porque embora tivesse nascido num território que hoje é um país, ainda nasci debaixo da bandeira de Portugal e embora me fizessem crer que aquela terra era a minha, abandonaram-me quando afirmavam que viviamos num "país livre".
Tenho andado pelo mundo e lá fora o ser português bate forte, mas quando assistimos a incompreensões como esta, pergunto-me se não estou a viver numa República não portuguesa mas das "Bananas"!