Charles Pasqua apresenta queixa contra o tribunal
Pasqua ontem na conferência de imprensa
Pasqua ontem na conferência de imprensa
Enquanto o governo de Angola e por conseguinte o MPLA ficaram "estupefactos" com a decisão do tribunal francês da condenação de diversas figuras envolvidas no caso conhecido como "Angolagate", a UNITA considerou hoje que se "fez justiça" na sentença do caso "Angolagate" pelo Tribunal de Paris, que condenou, entre outros, Pierre Falcone a seis anos de cadeia, por envolvimento no comércio de armas para Angola.
Alcides Sakala, porta voz da União Nacional para a Independência Total de Angola, que, na altura dos factos provados em tribunal, era o principal beligerante com as forças militares do governo do MPLA, apontou ainda, em declarações à Lusa, que foi com "regozijo" que o partido se inteirou da sentença.
Além de Pierre Falcone, foram também condenados o antigo ministro do Interior francês Charles Pasqua e Jean-Christophe Mitterrand, filho do antigo Presidente François Mitterrand e ainda o empresário israelita de origem russa Arcadi Gaydamak, actualmente refugiado na Rússia, condenado à semelhança de Falcone a seis anos de prisão efectiva, mas julgado à revelia.
| Angop | |
Luanda - O Governo de Angola manifestou-se estupefacto com a sentença do Tribunal de Paris, que condenou cidadãos franceses que em tempo oportuno ajudaram o país a garantir a defesa do Estado e do processo democrático, face a uma subversão armada condenada pela comunidade internacional e pelas Nações Unidas, em particular.
De acordo com uma declaração do Governo Angolano tornada pública hoje, não foi provado em Tribunal qualquer comércio ilícito de armas, até porque estas não eram francesas nem transitaram em território francês.
"Não havia na altura qualquer embargo internacional contra a aquisição de armas pelo governo legítimo de Angola e estas foram adquiridas por Angola num negócio perfeitamente licito entre dois Estados soberanos. Tanto assim, é que nem os seus signatários foram considerados parte em todo este processo judicial", frisa o documento.
Segundo a declaração, perante estes factos, tudo indica que este foi um processo desequilibrado e injusto, viciado por considerações e motivações de natureza política e parecendo, acima de tudo, eivado de um espírito de vingança, porque certos angolanos que foram apoiados pelos Serviços Especiais franceses falharam nos seus desígnios de conquista do poder pela força das armas.
O Governo da República de Angola repudia com veemência a forma abusiva como foi reiteradamente utilizado nesse processo o nome de Angola, constituindo isso quer uma violação do princípio do respeito mútuo entre dois Estados com relações diplomáticas, quer do segredo de Estado inerente a questões sensíveis relativas à Defesa e Segurança nacionais.