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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

RECORDAÇÕES

Ao invés de regressar
Quero apenas recordar
Os tempos que lá vivi
Tempos da minha mocidade
Naquela pequena cidade
Com uns calções de caqui
Para a garganta ressequida
Também havia bebida
O vinho de abacaxi
Recordo aquelas caçadas
Que com redes esticadas
Se apanhava um javali
E o pequeno beija-flor
Vestido com explendor
Aqui chama-se colibri
E toda aquela gente
Que guardo na mente
E que nunca mais vi
Seria melhor esquecer
Pois acabo por sofrer
Quando me lembro de ti.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

NOSTALGIA

Olho para o mar e sonho acordado
Tantos sentimentos que brotam em mim
Mesmo sem querer volto ao passado
E vejo o cacimbo cobrindo o Amboim

São sonhos que passam, volto acordar
Sussurro o teu nome na noite escura
Mesmo sem querer começo a chorar
Pois os anos passam mas a dor perdura

Até sonhei que um dia já toquei a lua
Voei pelos céus e atravessei o mar
Percorri as fontes à tua procura
Quando te encontrei . . . parei se sonhar

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

OS MEUS DIAS

Foi um tempo de sonho
Num passado risonho
Que teimo em recordar
Sou tolo em não esquecer
Algo que me faz sofrer
E algumas vezes chorar
Pelo mundo fui andando
Algumas vezes sonhando
De um dia poder voltar
Mas fui sempre adiando
E o tempo foi passando
Neste constante adiar
Fui sempre um errante
Numa procura constante
Dum sítio onde morar
Queria algo parecido
Daquilo que tinha perdido
Do outro lado do mar
Do muito que procurei
Nunca mais encontrei
Terra para te igualar
Deixei de ter ilusões
Vivo de recordações
Vendo os anos a passar.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

SE UM DIA VOLTASSE

Creio, que se um dia voltasse
Á terra que me viu crescer
Por mais que eu procurasse
Meus olhos não podiam ver

Em cada casa eu procurava
Um amigo, um rosto conhecido
A cada passo eu recordava
Aqueles com quem tinha vivido

Caminharia pelas ruas
Vendo as casas desbotadas
Olhando as paredes nuas
Ha muito sem serem pintadas

Fortes dores ía sentir
Ao percorrer a mesma terra
Donde tivemos que fugir
Quando começou a guerra

Sei que não encontraria
Aquelas minhas amizades
Penso que só sofreria
E não matava as saudades.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

SONHOS DO PASSADO

Eu sonho que um dia vou conseguir
Pôr-me de pé e voltar a andar
Gostar da vida e voltar a sorrir
Poder por fim, este hospital deixar

Sentir o sol na pele a queimar
Sentir o cheiro a terra molhada
Como um cabrito poder saltitar
Deixar de sentir a vida acabada

Poder caminhar à beira do mar
Ouvir de novo o bater das ondas
Fechar os olhos e poder sonhar
Que já não preciso de tantas sondas

Poder um dia sentir ao acordar
Que me levanto e ando pelo chão
Que apareceu alguém e voltei a amar
Que se extinguiu tanta desilusão

Eu sonho que um dia ate vou voar
Rir-me deste mundo e de tanta dor
Eu sonho que um dia vou poder voltar
Encontrar alguém que me tenha amor

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

RECORDAÇÕES

Sinto-me amargo, acido como vinagre
Foi-se a esperança, tudo o que sonhei
Passou-se o tempo não houve um milagre
Morreu o futuro, tudo o que um dia amei

Tudo acabara na flor da juventude
Sonhos de amor e de felicidade
Bastou para isso perder a saúde
Morri para o mundo, para a sociedade


Quem não aparece acaba esquecido
O mundo sem ti continua em frente
Ainda que tenhas sido muito querido
És abandonado por toda essa gente


Pela madrugada sou acordado
Alguém suavemente me aperta a mão
É todas as noites o mesmo fado
Chegara a hora de mais uma injecção


Volto a dormir e torno a sonhar
Corro pelos campos, voltei a viver
Sinto-me leve e consigo voar
Mesmo sem pernas consigo correr

terça-feira, 21 de outubro de 2008

TRISTE ESPELHO

Acaba-se a esperança, deseja-se a morte

Sente-se a angustia chora-se baixinho

Sentimentos de raiva, maldiz-se a sorte

Ora-se a Deus pedindo um cantinho

Odeia-se o mundo, toda a sua gente

Sente-se inveja de quem pode andar

Passa-se o dia a torturar a mente

Apenas há passado para recordar

Recorda-se aquilo que ficou por fazer

Também outras coisas que não se fizeram

Tantas palavras que ficaram por dizer

Lembram-se amigos que desapareceram

Porquê só a mente não quis dormir

Quando todo corpo já não lhe obedece

Para quê ter um corpo só a fingir

Quando até a mente dele se esquece

Olhos no tecto, dentes cerrados

Dor infinita, pensamento ruim

Olha-se o corpo, músculos mirrados

Soluços de dor, tristeza sem fim

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

É BOM PERDOAR

Mesmo em amigos do peito
Sempre encontramos defeito
Ou motivo de nos queixar
Teremos fraca existencia
Se tivermos tal tendencia
De estar sempre apontar
Quem é que nunca errou
Ou a outros prejudicou
Muitas vezes sem notar
Assim é melhor esquecer
Quando nos fazem sofrer
Sim, é melhor perdoar
Se ficarmos ressentidos
Quando somos feridos
Acabamos por odiar
Sentimento tão imundo
Que tem levado o mundo
Uns aos outros a matar
Descanse o seu coração
Estendendo seu perdão
Se alguém a prejudicar

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Os herois

Dizem fazer a guerra
Por amor a sua terra
E o povo libertar
Como são lindas promessas
Muitos vão nessas conversas
Pegando em armas p´ra lutar
Abandonam seus oficios
Passam mil sacrifícios
Acabando por não voltar
Morreu de arma na mão
Apodrecendo pelo chão
Sem ninguem para o enterrar
Ninguem sabe onde tombou
A terra onde ficou
E acabou o seu sonhar
Talvez seja melhor assim
Pois quando a guerra chega ao fim
Os que acabam por regressar
Vêm que nada melhorou
Antes tudo piorou
De que valeu guerrear
É grande a desilusão
Com o olhar pelo chão
Recorda o que teve de matar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

ANGOLA E A SAUDADE

Sonho um dia voltar
Aquele lado do mar
Donde tive que fugir
Quero matar a saudade
Daquela pequena cidade
Donde tive que partir.
Ficou tudo ao abandono
Tantas casas sem dono
Que acabaram por ruir
Foram tantas as balas
Cravadas naquelas salas
E nos quartos de dormir.
É uma dor de coração
Ver como uma nação
Acaba por se destruir
Onde havia alcatrão
Agora há apenas chão
E crateras a surgir.
Por isso eu quero voltar
Quem sabe possa ajudar
Ajudar a reconstruir.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

OS EMIGRANTES

Chegou a hora da partida
É mais uma despedida
Com a promessa de voltar
É com a face molhada
Que se fazem à estrada
Muitas vezes sem parar.
Passou-se mais um mês
Ainda não foi de vez
Que vieram para ficar
Aguarda-se a mensagem
De como foi a viagem
E se já estão a trabalhar.
E quando dizem adeus
Despedem-se dos seus
Muitas vezes a chorar
Quem sabe se volta a ver
A mãe antes de morrer
Que agora está num lar.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

EMIGRANTES

Muitos fazem a viagem
Sem uma única paragem
Com a pressa de chegar
Mais um ano foi passado
Longe do seu povoado
Agora é tempo de voltar.
São muitas as saudades
Daqueles simples lugares
Que tiveram de deixar
Embora seja pequenina
É esta que os fascina
E não deixaram de amar.
Com sorrisos radiantes
Chegam esses emigrantes
Ao seu pequeno lugar
Mas ainda não é de vez
Trazem apenas um mês
Para saudades matar.
Em breve chega a partida
É mais uma despedida
Com o coração a sangrar.

domingo, 27 de julho de 2008

OS RETORNADOS

Desse longínquo passado
Abruptamente cortado
Resta apenas a saudade
Dezenas de anos passados
Todos os dias lembrados
Duma triste realidade.
Foi toda uma vida
Por ninguém esquecida
Foi a nossa mocidade
Quero apenas voltar
De novo poder olhar
A minha bonita cidade.
Foi todo um passado
Que de nós foi roubado
Com muita crueldade
O homem assim quis
Nasceu outro País
Ansiando a liberdade.

terça-feira, 22 de julho de 2008

OS RETORNADOS

Tantos anos já passados
Desde que os retornados
Aqui vieram parar
Mil vidas despedaçadas
Ainda hoje choradas
Lembranças a recordar
É assim anualmente
Quando toda a gente
Procura se ajuntar
É o matar de saudades
É o falar de verdades
Que ninguém pode abafar
É o juntar de amigos
O recordar de perigos
Dos tempos de além-mar
Aqui reina a alegria
Até ao final do dia
Na hora de regressar
Mais um ano afastados
É com os olhos molhados
Que prometemos voltar.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

OS RETORNADOS

Em muitas terras distantes
Tornaram-se imigrantes
Para assim ganhar o pão
Depois de tantos perigos
Procuram saber de amigos
Que guardam no coração.
Alguns nunca mais se viram
Infelizmente já partiram
Resta só a recordação.
Alguns para recordar
Não deixam de se juntar
Numa grande animação.
No encontro de Mogofores
Procuram afogar as dores
Da triste descolonização.
São pedaços de uma vida
Saudosa muito querida
Tantas canseiras em vão.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

OS RETORNADOS

Tantas malas espalhadas
Bem à pressa arrumadas
Muitas delas já sem dono.
Bicuatas por todo o lado
Tesouros de um passado
Por ali ao abandono.
Rostos de extrema tristeza
Na mais completa pobreza
Como as folhas do outono
Havia pretos e brancos
Espalhados pelos cantos
Onde estava o colono?
Aquele que explorara
Angola há muito deixara
Aqui tinha o seu trono.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

OS RETORNADOS

Tantos anos são passados,
Mas mil outros recordados
Tristes e sós abandonados
Assim são os retornados.

Companheiros separados
E pelo mundo espalhados
Mesmo assim estão ligados
Assim são os retornados

Vidas feitas em bocados
Por uns poucos safados
Esquecidos e desprezados
Assim são os retornados.

Corações despedaçados
Injustamente julgados
Outras tantas criticados
assim são os retornados.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

OS RETORNADOS

Como um vagabundo
Errante no mundo
Por causa da guerra.
Era o retornado
Que tinha voltado
Para a sua terra.
A enxada na mão
Procurava o pão
No alto da serra.
As costas vergadas
E as faces suadas
A ira descerra.
Assim vai andando
A mágoa apagando
Do tempo da guerra.