quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

ALMOÇO CONVIVIO

Vai realizar-se no próximo dia 7 de Março em Torre de Moncorvo, o 2º. almoço de confraternização dos membros e amigos do forum "CUBATA ANGOLA".
Já ha bastantes inscritos, assim como há também alguns que vão ficar de sábado para domingo, usufruindo assim do convivio e aproveitando para darem um passeio por aquelas bandas e verem as amendoeiras em flor.
São ocasiões como estas que nos ajudam a continuar a relembrar um passado que queremos continuar a teimar em não esquecer. Servem também para reencontrar velhos amigos e fazer novas amizades. Pode sempre registar-se no forum e participar desta comunidade.
Para que os organizadores saibam o espaço que deverão escolher, pede-se a todos os que pensam ir, o favor de darem o seu nome e o número de acompanhantes na sala dos eventos do forum.
Temos a certeza que irá ser um almoço que ficará também para a história, pois queremos continuar a manter vivo esse espírito de terras de além-mar.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

MEMÓRIAS

Para aqueles que vêm acompanhando este blogue, quero dizer que em breve vai ser editado um livro com as memórias de um angolano, não sou eu, mas que retrata muitas das vivencias de alguém que por lá ficou e que passou pela vida com as alegrias, tristezas e desenganos, como aliás acontece com todos nós.
Ainda levará alguns meses até os primeiros livros estarem disponíveis nas livrarias, mas creio que vale a pena esperar e depois ler mais este contributo para a nossa história.
Escrevo debaixo de um pseudónimo, mas claro que o vou revelar na altura certa, pois embora não seja o personagem retratado no livro e este seja apresentado na forma de "memórias", creio que retrata um pouco do que foi e do que é a Angola que todos amamos.
Brevemente darei mais algumas dicas, talvez começando mesmo por mostrar a capa e o título da edição. Tem um pouco mais de duzentas e cinquenta páginas, mas creio que não o vão achar massudo, talvez devido à forma como é escrito.
Até breve.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

BAIXA DE CASSANGE

Foi celebrado ha dias pelos vários partidos políticos de Angola o que ficou conhecido como a revolta de Cassange e subsequenta massacre, isto para obrigar os grevistas a voltarem ao trabalho depois de se terem recusado a continuar a ser explorados pelo então sistema monopolista.
Creio e por aquilo que li, que a esses explorados assistia todo o direito de se revoltarem contra o sistema então vigente, pois por muito que produzissem, nunca ganhavam o suficiente para ter uma vida digna, pois a empresa estabelecia os preços a seu belo prazer.
Aceito por isso que os actuais governantes e gentes de Angola, lembrem essas pessoas que lutaram e tombaram por apenas tentarem chamar a atenção para a sua exploração.
Não aceito contudo, quando esses mesmos governantes e porventura essas mesmas gentes, não aceitem quando nós lembramos aqueles inocentes que tombaram também às mãos da UPA nos massacres de 61, onde até crianças de peito, foram covardemente esventradas e degoladas.
Fica bem, se queremos cimentar a fraternidade que une os dois povos, lembrarmos e respeitarmos a memória de todos aqueles que infelizmente foram vitimas dos extremos praticados por ambos os lados. Mas fica mal, quando uma das partes tenta escamotear ou desculpar esses actos atrozes, pois quer queiramos quer não, a história deve registar a verdade, ainda que por vezes essa verdade, envergonhe a parte que os praticou.

sábado, 3 de janeiro de 2009

NAO COMPREENDO

Continuo a ter alguma dificuldade em compreender, quando constacto haver algumas pessoas angolanas que continuam a não aceitar a sua história, sobretudo quando essa história mostra cenas menos próprias, como aquelas cometidas pela UPA em 1961 nas fazendas do norte de Angola. Outras ainda são mais exageradas e tudo quanto seja negativo no seu país, pois existe em todos, lá estão eles a bradar aos céus.
Será que a Alemanha esconde o seu passado, especialmente dos tempos hitlerianos? Creio que o registo da história menos boa dos países, serve para mostrar ao mundo ate onde poderão ir os devaneos humanos quando não controlados e sobretudo para que episódios destes não se voltem a repetir.
As pessoas que pensam que parte da sua história deveria ser apagada, fazem lembrar os antigos habitantes de Babilónia, que apenas registavam os seus feitos e as suas vitórias, não constando nos seus anais nenhuma referencia aos fracassos, as vergonhas e as derrotas que por certo tiveram e foram registadas pelos povos vizinhos.
Todos os países têm o seu lado escuro, a própria igreja católica tem o seu, talvez bem mais horroroso do que os massacres cometidos em Angola contra pessoas indefesas e falo de ambos os lados, assim devemos aprender a viver e aceitar o que é nossa história, pois infelizmente o homem tem mostrado que não aprende com os erros cometidos pelos outros, parece que sente algum "prazer" em ser ele a meter as mãos nesse lado negro da história da humanidade.
Assim, creio que não terão nenhuma razão aqueles que não aceitam o seu passado, pois do ontem pouco poderão fazer, mas lembrando-se disso, o hoje e sobretudo o amanha poderão ser muito diferentes.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

GRANDE SUSTO

Conheci pessoalmente o narrador desta aventura, era motorista numas das roças do Mário Cunha, bom conversador, homem hosp1taleiro, casado com uma africana de quem tinha penso eu, tres filhas e um filho.
Como era hábito em Angola, todos os empregadas daquelas imensas roças, supriam-se a si mesmo de carne atraves da caça e sempre que um matava qualquer coisa, a divisão era feita por todos os vizinhos. Numa bela madrugada este nosso amigo levantou-se e foi fazer uma espera ao javali, mas como estes demoravam a aparecer, deixou-se vencer pelo sono.
Não dormiu muito tempo, pois acordou ainda de noite, mas quando esticou a mão para apanhar a arma que estava ao seu lado, os seus dedos tocaram em pelo, um pelo macio que o fez arrepiar. Tentou de mansinho escapar-se para o lado contrario, mas também ali estava outro animal. Sentiu-se gelar, pois tinham-lhe dito que avistaram por ali uma onça e a conclusão lógica é aue se encontrava no meio de duas, só não o tinham atacado ainda por o julgarem morto.
Mal respirava e assim ficou até começar a amanhecer e só nessa altura descobriu que os dois animais eram os seus cães, dois bichos enormes que não sei a que raça pertenciam. Normalmente os caes nao o acompanhavam quando saía para caçar, mas desta vez ali estavam eles de guarda ao seu dono, va-se lá saber porquê.
Não ganhou para o susto, mas sempre que contava este episódio, não deixava de afagar a cabeça do bicho que estivesse mais perto.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

RECORDAÇÕES

Ao invés de regressar
Quero apenas recordar
Os tempos que lá vivi
Tempos da minha mocidade
Naquela pequena cidade
Com uns calções de caqui
Para a garganta ressequida
Também havia bebida
O vinho de abacaxi
Recordo aquelas caçadas
Que com redes esticadas
Se apanhava um javali
E o pequeno beija-flor
Vestido com explendor
Aqui chama-se colibri
E toda aquela gente
Que guardo na mente
E que nunca mais vi
Seria melhor esquecer
Pois acabo por sofrer
Quando me lembro de ti.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

DUAS OPINIÕES

Enquanto alguns anseiam por regressar ou simplesmente visitar as terras de onde tiveram que fugir, outros há que preferem recordar esses lugares assim como eram nos seus tempos, posso compreender os primeiros, mas creio que entendo melhor os segundos e é com estes que por certo me identifico.
Creio que uma aldeia, vila ou cidade é composta não só pelas suas casas, ruas, prédios e jardins, mas sobretudo pelos seus habitantes e quanto mais pequena a localidade é, tanto mais se faz notar a componente humana. Assim, estou de acordo com aqueles que preferem guardar na sua memória os tempos idos, aquelas pequenas cidades onde os seus habitantes faziam toda a diferença.
Pessoalmente guardo gratas recordações daqueles tempos, não pensem contudo aqueles que nunca lá estiveram, que era tudo um mar de rosas, não, também havia dificuldades, descriminação, diferenças sociais e também extrema pobreza e isso é preciso dizê-lo, mais do que uma vez ouvi dizer que os africanos se não comessem o seu pirão já não se sentiam saciados. A verdade talvez seja outra, não tinham era possibilidades de se alimentar ou saciar com os pratos que compunham a mesa da classe a seguir.
Guardo para mim visões de Angola de outrora e creio que é com estas que quero continuar. Em consciencia nada me pesa de algo que tenha feito para prejudicar os seus naturais, aliás eu tambem me considero um natural, mas pelo que leio, creio que a apenas sofreria um choque e não mataria as saudades de uma Angola de outros tempos e composta de outras gentes.
Saudosismo? Chamem-lhe o que quiserem, mas da minha cidade não recordo apenas as suas casas, os seus passeios, os seus jardins, as suas ruas, mas recordo essencialmente as suas gentes.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

NOSTALGIA

Olho para o mar e sonho acordado
Tantos sentimentos que brotam em mim
Mesmo sem querer volto ao passado
E vejo o cacimbo cobrindo o Amboim

São sonhos que passam, volto acordar
Sussurro o teu nome na noite escura
Mesmo sem querer começo a chorar
Pois os anos passam mas a dor perdura

Até sonhei que um dia já toquei a lua
Voei pelos céus e atravessei o mar
Percorri as fontes à tua procura
Quando te encontrei . . . parei se sonhar

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A HISTÓRIA DA DESCOLONIZAÇÂO

Com tantas informações e acusações a circular na net dirigidas a pessoas com nomes sonantes na nossa sociedade e política, será de esperar que a nossa história tal como hoje a conhecemos terá de ser reescrita e imputar responsabilidades aqueles que de forma aventureira e irresponsável brincaram com a vida de centenas de milhar de pessoas que à pressa tiveram de abandonar toda uma vida de luta e sacrifícios e também das centenas de milhares de angolanos que perderam a vida na guerra civil em Angola.
Como podem essas pessoas dormir descansadas e continuar a dar a cara como se nada se tivesse passado? Como pode um país responsável abandonar pura e simplesmente todo um povo virando literalmente as costas e deixando milhões de pessoas sem meios humanos e financeiros para se governarem. Mais! Como podem esses governantes retirarem toda uma administração e forças de ordem pública, quando sabiam que havia no terreno tres movimentos armados e dispostos a lutarem entre si fazendo valer direitos que a potencia colonizadora não soube acautelar?
Serão genuinas as cartas que circulam na net onde altos responsaveis e figuras de topo da nossa administração incentivam o ódio e a violencia contra os seus concidadãos?
Acredito que vivemos num país de direito, mas se assim é, o que foi feito para chamar essas pessoas à responsabilidade e imputar-lhe essas culpas? Será que é preciso uma nova geração para que a verdade seja conhecida? Mais vale tarde do que nunca, é um facto, mas nessa altura já terão também desaparecido todas as vítimas desses senhores, amarguradas e revoltadas contra um sistema que se diz justo e imparcial.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

OS MEUS DIAS

Foi um tempo de sonho
Num passado risonho
Que teimo em recordar
Sou tolo em não esquecer
Algo que me faz sofrer
E algumas vezes chorar
Pelo mundo fui andando
Algumas vezes sonhando
De um dia poder voltar
Mas fui sempre adiando
E o tempo foi passando
Neste constante adiar
Fui sempre um errante
Numa procura constante
Dum sítio onde morar
Queria algo parecido
Daquilo que tinha perdido
Do outro lado do mar
Do muito que procurei
Nunca mais encontrei
Terra para te igualar
Deixei de ter ilusões
Vivo de recordações
Vendo os anos a passar.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

SE UM DIA VOLTASSE

Creio, que se um dia voltasse
Á terra que me viu crescer
Por mais que eu procurasse
Meus olhos não podiam ver

Em cada casa eu procurava
Um amigo, um rosto conhecido
A cada passo eu recordava
Aqueles com quem tinha vivido

Caminharia pelas ruas
Vendo as casas desbotadas
Olhando as paredes nuas
Ha muito sem serem pintadas

Fortes dores ía sentir
Ao percorrer a mesma terra
Donde tivemos que fugir
Quando começou a guerra

Sei que não encontraria
Aquelas minhas amizades
Penso que só sofreria
E não matava as saudades.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O FIM DUMA GERAÇÃO

Embora seja a lei natural da vida, assistimos com alguma tristeza à partida daqueles homens e mulheres que tiveram de deixar Angola já com alguma idade. Ao fim de mais de trinta anos, são muitos aqueles que já partiram e os que ainda estão connosco, já estão bem entradotes na idade, notando-se sobretudo as suas ausencias nos encontros anuais que as diversas comunidades dos "retornados" agrupadas e denominadas pelas cidades angolanas que ha muito deixaram, teimam em continuar a realizar.
Gostariamos de passar esse testemunho aos nossos filhos, embora creia que isso tende a desaparecer, com grande mágoa daqueles a quem um dia chamaram "retornados". É bonito de ver que alguns filhos nascidos já em Portugal, vez por outra acompanham os pais, mas são sobretudo a geração de "retornados" mais nova, que teima em se juntar, um partilhar de vivencias e sobretudo o recordar dos anos passados em terras de além mar.
Tudo tem um fim e quer queiramos ou não, também estes encontros irão ter o seu e, isto acontecerá quando a nossa geração, os chamados novos na altura da triste descolonização, também chegarmos ao fim. Mas até lá e creio que essa é vontade de todos nós, tudo faremos para proporcionar e promover ocasiões, onde o matar de saudades nos ajudem a recordar uma infancia vivida juntos e que uns poucos ousaram estragar e espalhar.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

SONHOS DO PASSADO

Eu sonho que um dia vou conseguir
Pôr-me de pé e voltar a andar
Gostar da vida e voltar a sorrir
Poder por fim, este hospital deixar

Sentir o sol na pele a queimar
Sentir o cheiro a terra molhada
Como um cabrito poder saltitar
Deixar de sentir a vida acabada

Poder caminhar à beira do mar
Ouvir de novo o bater das ondas
Fechar os olhos e poder sonhar
Que já não preciso de tantas sondas

Poder um dia sentir ao acordar
Que me levanto e ando pelo chão
Que apareceu alguém e voltei a amar
Que se extinguiu tanta desilusão

Eu sonho que um dia ate vou voar
Rir-me deste mundo e de tanta dor
Eu sonho que um dia vou poder voltar
Encontrar alguém que me tenha amor

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

COMO VAI O NOSSO PAÍS

Confesso que por vezes até penso que os nosso governantes ou nos julgam atrasados mentais, ignorantes ou porventura apenas gostam de gozar com o cidadão comum, se não vejamos!
Será que é moralmente aceite em qualquer civilização que se peça a um seu concidadão que faça sacrifícios por o país estar a viver momentos de grande crise, quando a pessoa que faz esse pedido ganha dez ou vinte vezes mais? Que moral tem o senhor Presidente da República em apelar aos portugueses que têm de compreender a situação difícil que Portugal atravessa, quando o referido senhor, para além do seu vencimento como presidente, ainda aufere mais tres reformas, do Banco de Portugal, da Universidade Nova e por ter sido primeiro ministro isto no valor de mais de nove mil euros (só as reformas). A lista é deveras grande de todos os senhores que nos governam e que ainda têm a moral de pedir a um seu cidadão, que necessita de comer como eles, que necessita de se vestir como eles (aqui talvez tenha que ir aos ciganos), que precisa de uma casa, de alimentar a familia, etc., etc. e que apenas leva para casa ao fim dum mes de trabalho a avultada quantia de ....quatrocentos ou quinhentos euros!
Tenham um pouco de vergonha senhores, não está em causa a legalidade daquilo que recebem, mas assim como fazem leis que servem para viverem à grande e à francesa, pensem um pouco naqueles que todos os meses contam os seus centimos, para que ao fim do mes, os seus filhos continuem a ter pão.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

RECORDAÇÕES

Sinto-me amargo, acido como vinagre
Foi-se a esperança, tudo o que sonhei
Passou-se o tempo não houve um milagre
Morreu o futuro, tudo o que um dia amei

Tudo acabara na flor da juventude
Sonhos de amor e de felicidade
Bastou para isso perder a saúde
Morri para o mundo, para a sociedade


Quem não aparece acaba esquecido
O mundo sem ti continua em frente
Ainda que tenhas sido muito querido
És abandonado por toda essa gente


Pela madrugada sou acordado
Alguém suavemente me aperta a mão
É todas as noites o mesmo fado
Chegara a hora de mais uma injecção


Volto a dormir e torno a sonhar
Corro pelos campos, voltei a viver
Sinto-me leve e consigo voar
Mesmo sem pernas consigo correr

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O QUE EU ACHO

Esta não poderá se mais do que a minha simples opinião, mas de tudo o que tenho observado, de tudo o que tenho lido, cheguei a esta conclusão, que me perdoem os que acharem que estou errado, mas como a liberdade de expressão é aceite e comumente partilhada neste pequeno país em que nos encontramos, nada me impede de assim pensar e também registá-la neste espaço.
Enquanto nós angolanos de nascimento e outros que viveram por longos anos em Angola continuamos a chorar e a partilhar a dor dos muitos que tombaram nas guerras e dos milhões que hoje vivem em extrema dificuldade, nota-se uma certa soberba não do povo em si que continua a chorar pelos "colonizadores" que deixaram Angola, mas da classe dos chamados novos ricos, daqueles que aproveitaram os anos de luta para enriquecerem e hoje substituíram os chamados "colonos", para tratarem o povo bem pior do que aqueles a quem chamavam exploradores. Parece que tudo aquilo que diga respeito a Portugal é a partida encarado com alguma desconfiança, com algum desdém, embora da parte da maioria dos portugueses continue o sentimento fraterno, por uma nação nova que respeitamos, mas o mesmo povo com quem partilhamos longos anos de história e convivencia.
Nunca jamais eu vou renegar à nação que me acolheu, embora eu fosse angolano de nascimento. Se concordo com todas as suas políticas? Claro que não, mas não posso aceitar que uns poucos dos mais de catorze milhões do meu país de nascimento, continuem se não a odiar, porque acredito que não seja isso, mas a desconsiderarem um país e um povo amigo que tudo faz para que os erros passados (e houve-os de ambos os lados), não toldem as relações dos povos na sua maioria, porque infelizmente como acontece sempre nestes casos, é sempre uma pequena minoria que acaba por ofuscar o pensamento e o sentimento de todo um povo ou uma nação.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

TRISTE ESPELHO

Acaba-se a esperança, deseja-se a morte

Sente-se a angustia chora-se baixinho

Sentimentos de raiva, maldiz-se a sorte

Ora-se a Deus pedindo um cantinho

Odeia-se o mundo, toda a sua gente

Sente-se inveja de quem pode andar

Passa-se o dia a torturar a mente

Apenas há passado para recordar

Recorda-se aquilo que ficou por fazer

Também outras coisas que não se fizeram

Tantas palavras que ficaram por dizer

Lembram-se amigos que desapareceram

Porquê só a mente não quis dormir

Quando todo corpo já não lhe obedece

Para quê ter um corpo só a fingir

Quando até a mente dele se esquece

Olhos no tecto, dentes cerrados

Dor infinita, pensamento ruim

Olha-se o corpo, músculos mirrados

Soluços de dor, tristeza sem fim

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O RETORNAR

Para os naturais de Angola que tiveram de abandonar o país aquando dos confrontos armados entre os movimentos de libertação, abre-se agora uma nova oportunidade, oportunidade essa que lhes dá o direito de pela primeira vez serem chamados retornados, o seu retorno ao país de origem, à terra onde nasceram: Angola!
É verdade que também a eles foi aplicado embora erroneamente, a palavra retornado, quando na verdade o termo correcto seria refugiados, pois eles não retornaram a Portugal, país que a maioria nunca havia visitado.
Com a paz em Angola é cada vez mais necessário homens e mulheres qualificadas para ajudarem a desenvolver um país em franca ascenção e recuperação, mas dos muitos diálogos que tenho tido com antigos companheiros, a expressão é a mesma: com a nossa idade, o que vamos nós fazer? Assim é de facto, para os que abandonaram Angola na sua adolescencia, estão hoje já entradotes na idade e esta aventura, embora muito desejada, veio tarde demais. Julgo saber que existem maiores facilidades para os filhos de Angola, para nós, que crescemos e envelhecemos bem longe da terra que amavamos, mas estou como dizem os meus amigos: recomeçar toda uma vida, é demasiado tarde para nós!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

É BOM PERDOAR

Mesmo em amigos do peito
Sempre encontramos defeito
Ou motivo de nos queixar
Teremos fraca existencia
Se tivermos tal tendencia
De estar sempre apontar
Quem é que nunca errou
Ou a outros prejudicou
Muitas vezes sem notar
Assim é melhor esquecer
Quando nos fazem sofrer
Sim, é melhor perdoar
Se ficarmos ressentidos
Quando somos feridos
Acabamos por odiar
Sentimento tão imundo
Que tem levado o mundo
Uns aos outros a matar
Descanse o seu coração
Estendendo seu perdão
Se alguém a prejudicar

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

UMA CRITICA E UM ELOGIO

Ontem tive de me deslocar às urgencias do Hospital Amato Lusitano em Castelo Branco, devido a uns ganglios que me apareceram na cabeça e depois no pescoço. Decerto compreendo que não ia am perigo de vida, pelo que não estranhei quando na "triagem de Manchester" me deram a fita verde, simbolo de não muito urgente. Até aqui tudo bem. Comecei contudo a mostrar-me menos satisfeito com a pessoa que me fez a triagem ao constactar que na sala de espera havia um senhor idoso, talvez na casa dos 75/80 anos, diabético, também com uma fita verde, que aguardava a consulta já ha mais de cinco horas. Continuava a chegar mais gente a quem era dada a fita amarela, sendo atendidos rapidamente e também rapidamente se iam embora.
Facto estranho! A maioria das pessoas a quem foi dada a fita verde, foram precisamente estas que ficaram a fazer exames complementares de diagnóstico, tendo o referido senhor idoso que foi atendido ao fim de quase sete horas, ficado internado! Acredito no metodo da triagem, mas também acredito e neste caso como cidadão e doente exijo, que sejam colocados nestes lugares pessoas competentes, para que estes casos não se repitam um pouco por todo o lado.
Nota 5 para o médico que me atendeu! Pela atenção, pelo cuidado do diagnóstico, pelo pedido que fez a um seu colega para me observar e tanbém pela simpatia, isto numa unidade de urgencia de um hospital. Bem haja Dr. Jorge Monteiro, médicos como o senhor dignificam a sua classe, classe que todos precisamos algum dia.