Enquanto alguns anseiam por regressar ou simplesmente visitar as terras de onde tiveram que fugir, outros há que preferem recordar esses lugares assim como eram nos seus tempos, posso compreender os primeiros, mas creio que entendo melhor os segundos e é com estes que por certo me identifico.
Creio que uma aldeia, vila ou cidade é composta não só pelas suas casas, ruas, prédios e jardins, mas sobretudo pelos seus habitantes e quanto mais pequena a localidade é, tanto mais se faz notar a componente humana. Assim, estou de acordo com aqueles que preferem guardar na sua memória os tempos idos, aquelas pequenas cidades onde os seus habitantes faziam toda a diferença.
Pessoalmente guardo gratas recordações daqueles tempos, não pensem contudo aqueles que nunca lá estiveram, que era tudo um mar de rosas, não, também havia dificuldades, descriminação, diferenças sociais e também extrema pobreza e isso é preciso dizê-lo, mais do que uma vez ouvi dizer que os africanos se não comessem o seu pirão já não se sentiam saciados. A verdade talvez seja outra, não tinham era possibilidades de se alimentar ou saciar com os pratos que compunham a mesa da classe a seguir.
Guardo para mim visões de Angola de outrora e creio que é com estas que quero continuar. Em consciencia nada me pesa de algo que tenha feito para prejudicar os seus naturais, aliás eu tambem me considero um natural, mas pelo que leio, creio que a apenas sofreria um choque e não mataria as saudades de uma Angola de outros tempos e composta de outras gentes.
Saudosismo? Chamem-lhe o que quiserem, mas da minha cidade não recordo apenas as suas casas, os seus passeios, os seus jardins, as suas ruas, mas recordo essencialmente as suas gentes.